Terapia Genética Experimental combate a obesidade e favorece o ganho muscular

Especialista da área:
atualizado em 19/08/2020

A obesidade pode ser resultado das escolhas que fazemos em nosso estilo de vida, como uma alimentação de baixa qualidade e uma rotina sedentária.

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Entretanto, questões genéticas também podem contribuir com o desenvolvimento dessa condição.

Os genes herdados dos pais podem afetar a quantidade de gordura corporal que uma pessoa armazena no corpo e o local onde essa gordura é distribuída.

A genética também pode influenciar a eficiência do corpo em converter os alimentos em energia, a regulação do apetite e a queima de calorias durante a prática de atividades físicas.

Então, se os genes podem influenciar o desenvolvimento da obesidade, uma terapia genética poderia ajudar a preveni-la?

Estudos recentes

Um estudo recente que avaliou uma terapia genética para a osteoartrite parece ter acendido uma chama de esperança neste sentido.

A pesquisa foi realizada por cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Washington em Saint Louis, nos Estados Unidos, e publicada no periódico Science Advances.

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Mas atenção: o estudo foi conduzido em ratos, não em seres humanos. Pesquisas anteriores feitas em animais já tinham demonstrado que terapias genéticas desenvolvidas para amplificar a expressão de folistatina podem combater determinadas doenças musculares degenerativas.

A terapia genética com folistatina está sendo investigada como um tratamento potencial para câncer, doença renal e fibrose cística.

Inclusive, um experimento em seres humanos que testou a segurança da terapia para a distrofia muscular de Becker, sugeriu que ela não gerou reações adversas. Mas a sua eficácia não está clara.

A folistatina é uma proteína presente em quase todos os tecidos animais. Inicialmente, foi estudado o seu papel como um hormônio reprodutivo, mas mais tarde descobriu-se que ela influencia uma série de processos celulares, inclusive a proliferação muscular.

A nova pesquisa da Universidade de Washington analisou se esse tipo de terapia poderia auxiliar a tratar a osteoartrite, que é um tipo de artrite caracterizada pelo desgaste do tecido flexível das extremidades dos ossos.

Esse mecanismo se daria por meio do aumento da massa muscular e da diminuição da inflamação metabólica associada à obesidade.

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Segundo o professor do Departamento de Cirurgia Ortopédica da Universidade de Washington e investigador sênior do estudo, Farshid Guilak, a obesidade é o fator de risco mais comum da osteoartrite.

Estar acima do peso pode atrapalhar a pessoa a se exercitar e se beneficiar integralmente da fisioterapia, acrescentou Guilak. São justamente os exercícios e a fisioterapia que podem fortalecer o músculo, um efeito que também se traduz na diminuição da dor na articulação.

Como foi feito o experimento

Rato de laboratório

Durante o estudo, ratinhos com oito semanas de vida receberam uma injeção que continha um vírus que carregava o gene folistatina. O gene também atua no bloqueio da atividade de uma proteína muscular que mantém o crescimento muscular sob controle.

Foi identificado que os animais construíram músculo sem ganhar peso adicional, ainda que tenham consumido uma dieta rica em gorduras e não tenham praticado mais exercícios do que o habitual.

A terapia genética atenuou a degeneração da cartilagem, a inflamação sinovial (no revestimento da articulação) e a remodelação óssea associadas à lesão articular e à osteoartrite.

No caso dos ratinhos do estudo, observou-se uma melhora na função cardíaca e na saúde cardiovascular de maneira geral.

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Para o professor do Departamento de Cirurgia Ortopédica da Universidade de Washington, eles encontraram uma maneira de usar a terapia genética para construir músculo rapidamente.

Segundo Guilak, o fato de ter sido observado um efeito profundo nos ratos, com seu peso tendo sido mantido sob controle, sugere que uma abordagem similar pode ser efetiva contra a artrite, especialmente nos casos em que há obesidade mórbida.

O estudo também apontou que a terapia genética com folistatina pode trazer efeitos que vão além da influência ao desenvolvimento da massa muscular.

Resultados ainda estão longe de serem conclusivos

O professor do Departamento de Cirurgia Ortopédica da Universidade de Washington é realista. Ele admite que a pesquisa da sua equipe está longe de se tornar um tratamento clínico em seres humanos.

Afinal, o estudo foi conduzido em animais e são necessários muitos experimentos antes de concluir que a terapia pode trazer os mesmos efeitos, e de maneira segura, em humanos.

Conforme Guilak, algo do tipo levaria anos para ser desenvolvido, entretanto, ele e seus colegas estão animados em relação às perspectivas da terapia estudada.

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Apesar disso, ele ressaltou que métodos mais tradicionais de fortalecimento muscular como levantamento de peso ou fisioterapia permanecem como a primeira linha de tratamento para os pacientes com osteoartrite.

Enquanto a confirmação não chega, quem sofre com a osteoartrite ou com a obesidade deve continuar a seguir o tratamento prescrito pelo médico.

Da mesma forma, para prevenir a obesidade e ganhar músculos é necessário ter um estilo de vida saudável. Isso significa manter uma dieta balanceada e a prática de exercícios físicos voltados para cada um desses objetivos.

Fontes e Referências Adicionais:

O que você achou dos resultados das pesquisas citadas? Consegue imaginar no futuro uma terapia genética que possa combater a obesidade? Comente abaixo!

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