Café Dá Espinha? Tipos e Dicas

Especialista da área:
atualizado em 23/09/2020

Café logo ao acordar, no café da manhã. Café no intervalo entre a primeira refeição do dia e o almoço. Café depois do almoço, no meio do expediente para ficar mais acordado no trabalho e no lanchinho da tarde. Café em uma sessão de estudos para a prova.

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Quantas situações e momentos podem virar motivo para tomar o famoso cafezinho?

Mas entre todos os apaixonados consumidores do café, quantos já pararam para pensar sobre os efeitos que a bebida pode provocar à pele? Por exemplo, será que o café dá espinha?

O que são as espinhas?

Antes de tentarmos descobrir se o café causa espinha, é importante conhecer o que são as espinhas, não é verdade?

As espinhas surgem juntamente com a acne, uma condição que é desenvolvida quando secreções oleosas das glândulas sebáceas tampam as pequenas aberturas dos folículos capilares.

A acne é uma condição inflamatória. Em um quadro de acne, ocorre a prisão de óleo dentro dos poros, obstruindo-os. Isso permite que haja o crescimento de bactérias dentro dos folículos, provocando uma inflamação que tem como resultado o aparecimento de inchaços vermelhos na pele.

A acne é causada pela união de fatores como o excesso de produção de oleosidade da pele, o acúmulo de bactérias, a tendência à inflamação, a desregulação hormonal e a propensão ao acúmulo de células e tecidos mortos.

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Aspectos como idade, má higienização da pele, não retirar a maquiagem, o uso de produtos muito gordurosos na pele, doenças hormonais, reações a medicamentos, exposição excessiva ao sol, predisposição genética e gravidez também podem influenciar o aparecimento da acne e das espinhas.

E então, será que o café dá espinha?

A relação entre a dieta e a acne ainda é considerada controversa.

Embora estudos que perguntaram às pessoas que dissessem o que elas acreditam ter contribuído com a sua acne apontaram o café como um possível culpado, não foram conduzidas pesquisas que possam afirmar de maneira conclusiva que o café causa espinha.

No entanto, o aumento da resposta ao estresse provocado pela cafeína – uma xícara grande de café pode elevar mais do que o dobro da resposta ao estresse do organismo – pode afetar um quadro de acne.

Além disso, tomar muito café ou beber café no final do dia pode prejudicar o sono, ainda que os efeitos da cafeína em relação ao sono variem de pessoa para pessoa.

De qualquer forma, vale a pena saber que a falta de sono é outro fator que provoca mais estresse, e especialistas aconselham que quem é sensível à cafeína corte a sua ingestão da substância a partir do início da tarde para evitar dificuldades na hora de dormir.

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O estresse não causa a acne em si, entretanto, pode piorar a acne já existente. Os hormônios do estresse como o cortisol podem aumentar a quantidade de óleo produzido pelas suas glândulas sebáceas.

No entanto, embora o estresse possa exercer um papel em relação às crises de acne, faltam bons estudos para demonstrar que os hormônios do estresse pioram a condição.

A ideia de que o café dá espinha é um mito que já faliu. A médica dermatologista Manjula Jegasothy afirmou que não existem estudos que mostram se a cafeína ou o consumo de café impactam a pele propensa à acne.

Os antioxidantes

Por outro lado, os antioxidantes, substâncias que estão presentes na composição do café, já demonstraram poder auxiliar a melhoria da pele.

Uma pesquisa comparou os níveis sanguíneos dos antioxidantes vitamina A e vitamina E em 100 pessoas com acne e em 100 pessoas sem a acne.

Resultado: eles identificaram que os participantes com acne apresentavam concentrações sanguíneas expressivamente menores desses antioxidantes em comparação ao outro grupo de pessoas.

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Entretanto, mais pesquisas são necessárias para descobrir qual é o efeito dos antioxidantes encontrados especificamente no café em relação à severidade da acne.

A hipótese é de que o café tem um efeito neutro em relação a uma pele propensa à acne.

A questão do açúcar

Tem gente que põe pouco açúcar no café, mas também tem gente que enche a xícara de café com açúcar e deixa a bebida bastante doce. Isso sem contar aquelas versões de cafés cremosos que também aparecem carregados de ingredientes ricos em açúcar.

Por isso, se queremos saber se o café dá espinha, não podemos deixar de abordar a relação entre o açúcar e o desenvolvimento da acne e das suas espinhas.

Um estudo indicou que pessoas que consumiram frequentemente açúcares adicionados tinham um risco 30% maior de desenvolver a acne.

O excesso de açúcar na dieta pode tornar mais provável que você desenvolva a resistência à insulina, que pode se manifestar, entre outras maneiras, como a agravação de ataques de acne.

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Quanto mais baixa for a ingestão de açúcares e de alimentos de índice glicêmico alto, melhor será a aparência e a sensação da pele.

Portanto, para quem deseja evitar ter ou piorar o seu quadro de acne e espinhas, vale a pena maneirar na ingestão de açúcar – não somente do açúcar no café, mas em toda a alimentação de maneira geral.

O café com leite

Muitas pessoas gostam de tomar o seu café acompanhado de um pouco de leite. Portanto, também precisamos falar dessa versão ao analisar se o café dá espinha, não é mesmo?

Duas pesquisas indicaram que os jovens adultos que consumiram leite e sorvete com frequência tinham uma propensão quatro vezes maior de desenvolver a acne.

Outro artigo informou que a maioria dos estudos baseados em evidências concordam que a acne pode ser irritada pelos produtos laticínios (do leite), porém, os pesquisadores ainda estão tentando entender qual é conexão de base entre os dois.

A esteticista especializada no tratamento da acne, Angela Palmer, citou uma pesquisa que avaliou a dieta de meninos adolescentes e concluiu que os rapazes que mais bebiam leite tinham a tendência de possuir a pior acne.

“Isso apoia os resultados de estudos prévios, em que foi pedido que meninas adolescentes mantivessem diários alimentares e monitorassem a atividade das crises de acne.

De novo, as meninas com dietas ricas em produtos laticínios tinham acnes mais severas do que o resto”, afirmou Palmer.

Segundo a esteticista, o leite foi o maior ofensor neste sentido e leite com chocolate, queijo cottage e sherbet (sorvete com menos leites e seus derivados) também tiveram um efeito negativo na pele, porém, outros produtos laticínios não aparentaram provocar as crises de acne.

“Entretanto, os estudados conduzidos até agora (até a data do artigo, janeiro de 2018) não foram de alta qualidade.

A pesquisa até agora se focou principalmente em adolescentes e jovens adultos e mostrou apenas uma correlação entre leite e acne, não um relacionamento de efeito e causa.

Ainda não está claro como o leite pode contribuir com a formação da acne, mas existem diversas teorias propostas”, afirmou a nutricionista Erica.

“Mais pesquisas são necessárias para determinar se existe uma quantidade específica ou tipo de produto laticínio que pode agravar a acne”, completou a nutricionista.

Atenção

A acne tem muitos possíveis culpados, portanto, é imperativo ver um dermatologista qualificado para avaliar a sua acne assim como o seu tipo de pele e te colocar em um regime específico de cuidados com a pele personalizado para você.

Ou seja, não é a retirada de um único alimento da dieta que vai resolver um problema de acne e espinhas. Você precisa de cuidado profissional para saber que tratamento e que tipo de alimentação deve seguir para lidar com o seu quadro em particular.

Lembre-se de que este artigo serve somente para informar e jamais pode substituir a opinião e o diagnóstico de um dermatologista.

Fontes e Referências Adicionais:

Você já tinha ouvido falar que o café dá espinha? Tem costume de tomar muito café no seu dia a dia e tem percebido muitos problemas com acne? Comente abaixo!

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Sobre Dra. Patricia Leite

Dra. Patricia é Nutricionista - CRN-RJ 0510146-5. Ela é uma das mais conceituadas profissionais do país, sendo uma referência profissional em sua área e autora de artigos e vídeos de grande sucesso e reconhecimento. Tem pós-graduação em Nutrição pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, é especialista em Nutrição Esportiva pela Universidad Miguel de Cervantes (España) e é também membro da International Society of Sports Nutrition.

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